quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Contos da Sul P.3


Na periferia, é sempre assim o pior fica pra você, o pior fica pra mim crescer sem pai sem mãe, é difícil o fato de saber que eles morreram num assalto me deixa revoltado, moro? ai de mim se não
fosse o meu avô que me criou, me botou na escola se não fosse ele, acho que nem tava mais vivo mais ai, ta vivo até hoje acho que é meu castigo tem marcas que nunca vão ser apagadas tem feridas que vão doer pra sempre na alma da gente a estrada que eu to até hoje, não tem volta também não da pra ir pra frente quando era pivete,imaginava que tudo fosse diferente
Lembro-me na infância eu um moleque cheio de esperança correndo no campão de terra atrás da bola perdi a conta de quantas vezes cabulava na escola o dia todo debaixo do sol a única coisa que eu queria era ser um jogador de futebol era melhor que a maioria dos muleque jogava o dia todo e para mim não tinha breque meu avô que me criou sempre me apoiou foi ele que me levou a primeira vez no estádio quando vi o campo meus olhos brilharam meu avô era o único que comigo se importava ele era a única pessoa que eu tinha minha família e eu o amava o tempo passando e eu sempre no campão treinando já estava com dezessete fiz vários testes no corinthians, são paulo,palmeiras mas consegui entrar no juniors da portuguesa meu avô bancava tudo, até minha chuteira era ponta firme queria me ver titular do time longe do crime um dia eu estava treinando no campão junto com os outros manos quando vi um maluco se aproximando parou o jogo, chamou todo mundo de canto olhou pra mim me deu um barato estranho percebi que era um pó branco mesmo sabendo o que era resolvi experimentar foi ali que minha vida começou a mudar perdi minha paz sempre queria muito sempre queira mais e mais esqueci o futebol e agora jogava o jogo de satanás minha vida passou a ser outra não demorou muito e eu estava envolvido com os parceiros da vida louca mano, como tudo mudou em apenas um ano não conseguia me libertar não tava com disposição nem mais para assaltar era dia do meu avô retirar a aposentadoria ele chegou em casa tinha acabado de receber no descontrole,sergurei-o e comecei a bater tava na nóia brava, ele gritava dizendo que me amava eu não ouvia e nem me importava mas no fundo em algum lugar aqueles gritos me machucava revistei-o por inteiro mas ele tinha escondido do dinheiro saquei o oitão e pá, dei o primeiro tentou me explicar que havia guardado para me pagar um tratamento infelizmente nem deu tempo sem dó descarreguei a arma naquele momento matava a única pessoa que me amava naquele momento eu perdi a minha alma hoje só tenho lembranças e mais nada atrás das grades do carandiru até minha honra foi tirada preso há quatro anos, sem previsão para sair estupro, espancamento e o vírus que está me consumindo, por dentro mano, eu só lamento meu deus como eu queria, poder voltar no tempo...

Nenhum comentário:

Postar um comentário